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ENGENHEIROS DA PETROBRAS MOSTRAM QUE GESTÃO DE CASTELLO BRANCO FOI UM DESASTRE

Carlos Newton

Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco

Vivemos num mundo em que as aparências cada vez nos enganam mais. Enquanto a patuleia perde tempo discutindo direita e esquerda, ressuscitando ideologias já superadas pela realidade dos fatos, o capitalismo financeiro continua a reinar, absoluto, desfilando fantasiado de neoliberalismo econômico, sem que seus malefícios sejam discutidos com a seriedade que seria de se esperar.

Governantes despreparados como Jair Bolsonaro embarcam nessa canoa furada e perdem tempo defendendo teses surpreendentes, como o “nazismo esquerdista”, que teria sido destroçado por engano pelos comunistas de Stalin, e esse erro causou a morte de cerca de 15 milhões de soviéticos, vejam que esse pessoal não sossega em criação de Piada do Ano.

FAZER A COISA CERTA – Seria bem mais proveitoso se Bolsonaro e os demais inquilinos do poder se interessassem em seguir o conselho do cineasta Spike Lee e passar a fazer a coisa certa, como Sidarta Gautama, o Buda, já recomendava quase 500 anos antes de Cristo, que nos ensinou todo o resto.

Vejam o exemplo concreto da gestão de Roberto Castello Branco na Petrobras. Ao invés de entender que está à frente de uma estatal estratégica, de enorme importância para o país e sua estabilidade econômica, esse economista “Chicago Boy” resolveu implantar preços paritários de importação, com redução dos investimentos e privatização acelerada de ativos altamente rentáveis, a fim de maximizar lucros e garantir pagamentos de dividendos no curto prazo.

Para o país, foi uma sorte Castello Branco ter adotado essa política idiota, globalista e verdadeiramente suicida. Se ele ficasse mais um pouco, conseguiria realizar seu declarado sonho de privatizar a Petrobras, num governo recheado de militares que se dizem nacionalistas, o velho marechal Castelo Branco que nos perdoe.

OMISSÃO DO MINISTRO – Os maiores especialistas do país são os engenheiros da Petrobras, representados por sua associação, a Aepet. Desde o início do governo Bolsonaro, temos publicado críticas acertadas e assustadores enviadas pela Aepet, mas o ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, não tomou a menor providência, desprezou o interesse público e deixou o barco à deriva sob o comando do falso Castello Branco, que teria sido trucidado pelo marechal se tivesse adotado essa política no regime militar.

Trabalhei três anos na Petrobras e tenho respeito a essa empresa, aprendi a admirar seus profissionais e a entender que só pode ser gerida em função dos interesses nacionais, que se sobrepõem aos interesses de mercado na Bolsa de Valores, como ocorre em outros países que têm estatais no setor, como Arábia Saudita, Argélia, Angola, Bolívia, China, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Equador, França, Guiné Equatorial, Índia, Indonésia, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Malásia, México, Nigéria, Noruega, Omã, Qatar, Quénia, Peru, Rússia, Sudão e Venezuela.

Vejam abaixo as explicações da Associação dos Engenheiros da Petrobras, enviadas por Mário Assis Causanilhas, e se sintam um pouco mais brasileiros, para defender com ardor os interesses nacionais.


UMA POLÍTICA SUICIDA E ANTINACIONAL

Produzimos petróleo, refinamos combustíveis no Brasil, mas a direção da Petrobrás, desde 2016, decidiu adotar preços proporcionais aos da importação para os combustíveis de suas refinarias.

Com preços altos em relação ao custo de importação, o diesel da Petrobrás fica encalhado nas suas refinarias e parte do mercado brasileiro é transferido para os importadores. A ociosidade das refinarias brasileiras aumenta, há redução do processamento de petróleo e da produção de combustíveis no Brasil. Aumenta a exportação de petróleo cru.

Combustíveis produzidos nos EUA são trazidos ao Brasil por multinacionais estrangeiras da logística e distribuídos pelos concorrentes da Petrobrás.

QUEM GANHA? – A Petrobrás perde com redução da sua participação no mercado. O consumidor paga mais caro, desnecessariamente, com o alinhamento aos preços internacionais do petróleo e à cotação do câmbio.

Ganham as refinarias dos EUA, as multinacionais da logística e as distribuidoras privadas. Também são beneficiados os produtores e importadores de etanol, com a gasolina relativamente mais cara que perde mercado.

Cabe registrar que apesar do preço do diesel nas refinarias representar cerca de 54% do preço final ao consumidor, impostos são proporcionais e quando o preço varia na refinaria também varia nos postos. Quando se eleva o preço na refinaria, o reajuste ao consumidor é mais rápido do que quando se reduz.

ALEGAÇÕES FALSAS – Castello Branco, enquanto presidente da Petrobrás, disse que a solução é a privatização de oito, entre as treze refinarias da Petrobrás, que representam 50% de sua capacidade de refino.

Castello Branco afirmou: “Vender refinarias não é só bom para a Petrobrás. Nós vamos deixar de ser o endereço onde as pessoas batem na porta para reclamar de preço da gasolina, diesel” e acrescentou: “Eu não quero mais ouvir essa expressão, ‘Ah, a política de preços’.

Então, estamos assim, com preços mais altos que os custos de importação, apesar de se produzir e refinar no Brasil. Pretendem privatizar e desnacionalizar metade do parque de refino brasileiro para assim não se falar mais de política de preços dos combustíveis. Se o brasileiro quiser reclamar do preço do diesel, ou da gasolina, vai ter que procurar o Papa Francisco. Tudo resolvido? Claro que não.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Castello Branco sai do cargo deixando atrás de si a terra arrasada pela privatização de importantes ativos do sistema Petrobras. Por exemplo, para que vender os gasodutos, se a Petrobras terá de seguir eternamente pagando aluguel pelo uso deles? Castello Branco e seu líder Paulo Guedes são dois irresponsáveis. Vender os gasodutos foi como construir uma casa e depois vendê-la a baixo preço para passar a alugá-la. O almirante Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, concordou com toda essa patifaria. Sua participação nesse crime de lesa-pátria é uma vergonha para as Forças Armadas.

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