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CASTRO ALVES E SEU POEMA DESESPERADO PELO AMOR DA ATRIZ EUGÊNIA CÂMARA

Paulo Peres

Poemas & Canções

A peça estreada no Teatro São João não foi poupada por alguns dos maiores literatos do país: José de Alencar escreveu: “Há no drama Gonzaga exuberância de poesia. Mas, deste defeito a culpa não foi do escritor; foi da idade”. Machado de Assis, por sua vez, ponderou ser necessário o poeta “separar completamente a língua lírica da língua dramática”. Críticos teatrais lamentaram o elenco, considerado amador, formado por atores inexperientes. Se procedentes, ou não, as críticas, o fato é que a volta de Castro Alves à Bahia ao lado de Eugênia para encenar um drama histórico, sacudiu o marasmo da província que se rendeu de amores pelo casal.

O baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), considerado um dos mais brilhantes poetas românticos brasileiros, é chamado de “cantor dos escravos” pelo seu entusiasmo diante das grandes causas da liberdade e da justiça: a independência da Bahia, a insurreição dos negros de Palmares, o papel da imprensa e acima de tudo isso a luta contra a escravidão.

O poema “O Gondoleiro do Amor” concentra toda a face lírica do poeta, porque descreve o trajeto de um amor de início inconstante, que vai se concretizando e superando os elementos predominantes ao possuir uma mulher de carne e osso, afeita às sugestões de um cenário perfeito para a plenitude amorosa.

Castro Alves e Eugênia Câmara

O poema é uma barcarola dedicada a Eugênia Câmara, atriz portuguesa e o grande amor de Castro Alves. Vale ressaltar a associação da cor dos olhos da “dama negra” com a ideia de profundidade.

O GONDOLEIRO DO AMOR
Castro Alves

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar…
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
do Gondoleiro do amor.

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Itália,
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
-Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu.

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?…

Teu amor na treva é – um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa – nas calmarias,
É abrigo – no tufão;

Por isso eu te amo querida,
Quer no prazer, quer na dor…
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor

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