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ATRASOS E DISPUTAS POR VERBA DO FUNDÃO ELEITORAL GERA ATRITOS NAS LEGENDAS

Bernardo Mello e Felipe Grinberg
O Globo

Cerca de duas semanas após a largada das campanhas eleitorais, atrasos e disputas envolvendo repasses partidários vêm provocando reclamações em capitais e afetando candidatos a prefeituras de várias siglas. Segundo o sistema de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizado diariamente, o PSL havia destinado até a noite desta quarta-feira, dia 14, menos recursos para a candidatura de Joice Hasselmann em São Paulo do que para capitais como Curitiba, Boa Vista e Palmas, onde o partido também tem candidatura própria.

Deputada Joice Hasselmann

Joice, que tem 1% das intenções de voto segundo o Datafolha, pediu um repasse partidário de R$ 5 milhões, segundo integrantes do PSL. O valor é cinco vezes superior ao recebido até agora. No Rio, a candidatura de Luiz Lima, que também aparece com 1% das intenções de voto, ainda não figura como destinatária de repasses do PSL.

TRANSFERÊNCIA – O partido, que tem à disposição R$ 199,4 milhões do fundo eleitoral, repassou R$ 400 mil para o diretório carioca. Segundo dirigentes do PSL, já houve autorização de transferência de R$ 2,6 milhões para Lima, mas o valor ainda não entrou no sistema. Assim como Joice, que enfrenta resistência no próprio PSL por ter se afastado do grupo mais ligado ao presidente Jair Bolsonaro em 2019, Lima tenta construir apoio interno para disputar os votos do bolsonarismo com o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Celso Russomanno

Crivella, que recebeu sinalizações discretas de apoio de Bolsonaro, registrou repasse de R$ 557 mil do seu partido até agora, valor semelhante ao destinado pelo Republicanos à campanha de Celso Russomanno em São Paulo. Já o diretório paulista do Republicanos recebeu R$ 4 milhões, cerca de três vezes mais do que o destinado ao Rio. Na última semana, Russomanno ganhou um aceno de apoio explícito de Bolsonaro ao posar para fotos abraçado ao presidente.

Deputado Marcos Pereira

“BENEVOLÊNCIA” – Aliados do prefeito pediram “benevolência” ao presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), para repartir o fundo eleitoral da legenda, que soma R$ 100,6 milhões. A articulação direta com Pereira é uma alternativa ao presidente do diretório fluminense, Luis Carlos Gomes, visto internamente como um dirigente com pouca força partidária.

“Realmente está mais complicado do que na eleição passada. O partido fez uma divisão de recursos proporcional à população. Além disso, em 2016 havia 11 deputados federais (do Republicanos), agora são 32 e o Rio tem apenas dois, enquanto São Paulo tem cinco. Isso também entrou no cálculo”,afirmou Crivella.

Atrasos nos repasses em Rio e São Paulo preocupam as candidaturas, que temem ver uma campanha “fria” sem os recursos. Nas despesas declaradas por Crivella, mais de 25% se resumem a honorários de advocacia do escritório de Admar Gonzaga, ex-ministro do TSE que atua na defesa do prefeito.

“ENGANO” – No caso de Joice, que ainda não declarou gastos ao TSE, o incômodo foi acentuado por um repasse de R$ 2 milhões do PSL à candidatura a vereador de Vitor Abou Anni, filho do deputado federal Abou Anni (PSL-SP). Segundo o partido, houve um “engano” no repasse, superior ao destinado a Joice, e R$ 1,7 milhão serão devolvidos.

No PT, partido dono da maior fatia do fundo eleitoral, com R$ 201,2 milhões, a cúpula partidária priorizou os repasses para a campanha de Jilmar Tatto à prefeitura de São Paulo, por entender que a capital paulista é terreno estratégico para o xadrez eleitoral de 2022. Tatto, no entanto, figura com 1% das intenções de voto, segundo o Datafolha, o que levou petistas a defenderem a retirada de sua candidatura para apoiar Guilherme Boulos (PSOL), que aparece com 12%.

OBSTÁCULO – O principal empecilho à manobra, segundo um interlocutor da cúpula do partido, é convencer o próprio Tatto a abdicar de uma campanha que, tratada como prioridade, já recebeu R$ 4,4 milhões. O valor supera o destinado a candidaturas do PT melhor posicionadas em pesquisas, inclusive em capitais do Nordeste, reduto eleitoral do partido nos últimos anos.

No Recife, por exemplo, a candidatura de Marília Arraes, segunda colocada nas pesquisas, havia recebido R$ 995 mil até ontem. Em Fortaleza, Luizianne Lins, que aparece tecnicamente empatada na liderança da disputa pela prefeitura segundo o Ibope, recebeu R$ 960 mil do PT.

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