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MORRE FAMOSO LÍDER POLÍTICO CARIRIENSE DE COVID19: “JOÃO DE ZECA”

Morreu nesta quarta-feira em Juazeiro do Norte, aos 85 anos, no Hospital Regional do Cariri-HCR-, o político João Antonio de Macedo, o famoso “João de Zeca”, vítima do arrasante coronavírus. João era irmão do ex-prefeito de Juazeiro do Norte Raimundo Macedo e pai do atual prefeito de Aurora, João Antonio de Macedo Junior. João de Zeca iniciou seus passos na política se elegendo prefeito da cidade de Aurora em 1976, naquela época Aurora foi uma das poucas prefeituras que elegeu o prefeito contrário ao então governador Adauto Bezerra. Vejam que nada mudou na sistemática de se fazer política no Ceará, pois hoje 99% dos prefeitos cearenses pertencem ao grupo dos irmãos Ferreira Gomes, atuais mandatários oligárquicos do poder no Ceará.

“João de Zeca”, como ficou conhecido, se aventurava na política aurorense desde a década de 1970 quando se elegeu vereador e presidente da câmara municipal. Como vereador, se destacou por seu carisma e por favores prestados a população, visando alçar voos maiores se lança como candidato a prefeito pelo ARENA2 nas eleições de 1972, ao lado do então professor e vereador Francisco Moacir Leite, contra Francisco Bezerra dos Santos e Manoel Cândido da Silva (ARENA1) apoiados pela família Gonçalves e as grandes famílias agrícolas que dominavam politicamente o município. Sua campanha se baseava na crítica ao atraso em que a cidade vivia, no entanto, não obteve apoio das elites e o resultado foi à derrota naquele pleito, ficando com 2625 votos contra 3201 do candidato eleito.

João de Zeca com o sobrinho Coelho Neto.

Mas nas eleições de 1976 João de Zeca conseguiu ser eleito prefeito e, a partir de então, começou a desenvolver seu próprio estilo de governar, assistindo aos excluídos e agradando-os a sua maneira, com favores e distribuição de subempregos. Os favores prestados por “João de Zeca” a população, apesar de serem pagos com o dinheiro público enaltecia seu nome a ponto de ficar conhecido nesse período como o “pai da pobreza”. Durante seu governo houve um aumento no número de empregos com carteiras assinadas. Nesse período, um grande número de aurorenses deixou o trabalho rural para se tornarem servidores públicos, tais empregos eram distribuídos pelo próprio prefeito que percorria o município com contratos de trabalhos já preenchidos para conceder aos eleitores que o havia apoiado. A partir de então começa a hegemonia da Família Macêdo na política aurorense.

No clic vemos João de Zeca, o irmão Raimundo Macedo e o sobrinho deputado estadual Davi Macedo.

Durante a sua atuação política “João de Zeca” tornou-se um personagem quase que folclóricos e, diversas histórias, em sua maioria cômica, foram sendo atribuídas a ele, uma das histórias mais difundidas pelo Cariri cearense e atribuída a esse personagem foi o discurso de inauguração do Hospital Geral Ignez Andreazza, o Hospital Geral de Aurora, que ele teria pronunciado a sigla OJO em referência a HGA (Hospital Geral de Aurora). Diversas outras piadas e situações cômicas atribuídas a “João de Zeca” povoam o imaginário popular dos caririenses. Certa feita João de Zeca encontrou-se com um compadre seu que havia sido eleito Prefeito da cidade do Barro. Empolgado com a vitória do amigo, que era um velho comerciante e estava acompanhado do contador, disparou: – Cumpade, agora você entrou num ramo bom. Pense num ramo bom! Prefeitura é mil vezes melhor do que o comércio.

Mais essa outra: João de Zeca, ex-prefeito de Aurora (CE), foi certo dia numa loja comprar uma geladeira e um fogão novos. No crediário. Ao consultar o “nome” de João no sistema de vendas, a moça educada cuidou de explicar: “Seu João, lamento muito, mas a venda não poderá ser feita, vez que o senhor está no SPC”. Irritado, João de Zeca protestou: “Isso é coisa de Raimundão, meu irmão. Nunca fui do SPC, sou do PMDB há 30 anos”.

Em sua maioria tais histórias foram sendo inventadas, ou mesmo exageradas com a função caricaturá-lo, papel esse empreendido pelos seus adversários com a função de desmerecê-lo, em consequência de sua origem simples. No entanto, o seu grupo político soube utilizar bem essas suas características como meio de aproximação popular, pois naquele contexto social a maioria dos eleitores aurorenses era formada por pessoas simples e iletradas que enxergam em “João de Zeca” um dos seus, sentindo-se refletidos nele, o que proporcionou uma relação de proximidade entre o político e o eleitor até mesmo a criação de uma rede de dependência construída de diversas formas; concessão de empregos públicos, construção de obras públicas como: açudes, barragens e poços em terrenos particulares e o estabelecimento de relações de parentesco religioso através dos afilhados de batismo, fazendo do político em questão um chefe patriarcal de uma enorme gama de indivíduos que o seguia e o respeitava a ponto de terem suas escolhas, não só políticas, mas sociais, manobradas por ele.

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