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Pandemia mostra importância do SUS, sistema adotado pelo Brasil

DOS PAÍSES MAIS ATINGIDOS PELA PANDEMIA, BRASIL TEM ÍNDICE BAIXO DE MORTALIDADE

Manoel D’Oliveira

Estou acompanhando a evolução desta pandemia desde o primeiro óbito no Brasil, em 17 de março. Posto aqui a minha análise com os dados publicados até 10 de julho.

1) MÉDIA DOS ÓBITOS –  A média móvel (7 dias) estava estável há exatamente 38 dias (curva verde no gráfico abaixo), variando na estreita faixa de 960-1060 óbitos/dia, no total Brasil. Não pediam o “achatamento” da curva? Pois aí está. Com o “achatamento”, o pico no eixo vertical do gráfico (óbitos) é mais baixo. Mas tem um preço a pagar, que é representado pelo aumento da extensão dos valores no eixo horizontal (tempo). A duração da pandemia no Brasil será maior. E é justo o que está acontecendo.

2) CURVA DE ACHATAMENTO – Todos nós tivemos a oportunidade de ver, no início da pandemia, gráficos semelhantes ao segundo gráfico mostrado abaixo: “Como se achata a curva da epidemia?” Pois então, alto valor na vertical, baixo valor na horizontal; baixo valor na vertical, alto valor na horizontal. Não podemos querer, ao mesmo tempo, “achatamento” (o Brasil tem uma das curvas mais “achatadas”) e pequena duração da doença.

O Brasil poderia estar hoje na fase final da doença, caso não tivesse optado por um achatamento tão severo. O vírus segue seu curso, não “some”, “não vai embora”. Será mais um, na coleção de milhares, com o qual teremos que conviver. Com o confinamento, estamos apenas atrasando a disseminação da contaminação, que se dará num tempo mas longo. Não houve o colapso do sistema de saúde, os hospitais de campanha ficaram ociosos e tivemos a festa dos corruptos, desviando milhões. Mas quantos chegarão ao final disso tudo falidos ou desempregados?

3) MORTES EM QUEDA – A taxa de letalidade (curva amarela) está visivelmente em queda, mostrando que o sistema de saúde está hoje mais “azeitado” para tratar dos novos casos de Covid-19. No final de abril-início de maio, a letalidade atingiu o pico de 6,99 óbitos para cada 100 casos. Hoje está em 3,91 óbitos para cada 100 casos. Levando-se em conta que os casos da doença estão na verdade subnotificados, a taxa de letalidade é ainda mais baixa do que a apontada oficialmente.

4) RANKING MUNDIAL – O número de óbitos por milhão de habitantes (curva cinza) atingiu a marca de 323,4 (total Brasil em 8 de julho). Nesta mesma data, tivemos o seguinte ranking mundial:

Bélgica 847,2;  Reino Unido 649,2; Espanha 607,6; Itália 576,6; Suécia 542,8; França 460,1; EUA 409,3. A  seguir, Holanda, Irlanda, Chile, Peru e aí então o nosso Brasil com 323,4 óbitos por milhão de habitantes.

5) RECUPERADOS  – O número de recuperados superou em 10 de julho o seu recorde mundial anterior, com a marca de 1.078.763 (total Brasil). Chega de imprensa alarmista e adepta do “quanto pior, melhor”.


NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Surpreendente essa análise da evolução da epidemia no Brasil, enviada pelo sempre atento Mário Assis Causanilhas, ex-secretário de Administração do governo fluminense. Na minha opinião, com a experiência de ter trabalhado por quatro anos como estatístico no IBGE, o dado mais importante é o da letalidade (morte por número de habitantes), em que estamos em 12º lugar, embora tenhamos a sexta maior população. É um índice auspicioso. Mas o mundo ainda está longe de fechar essas estatísticas, porque a China maquiou as delas e outros países altamente populosos, como Índia, Indonésia, Paquistão e Nigéria ou ainda não estão atingidos fortemente pela pandemia ou não sabem contar seus doentes. Quanto ao Japão, o número menor de mortos se explica pela prática do uso de máscaras e pela alta conscientização do povo japonês  

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