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COMISSÃO APROVA PROJETO DOS 19 BILHÕES QUE BOLSONARO ACEITOU, ASSINOU E SE ARREPENDEU

Bruno Góes
O Globo

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou nesta quarta-feira o projeto do governo que prevê o controle de R$ 19 bilhões do orçamento pelo Congresso. Agora, a proposta vai ao plenário, onde pode ser votada ainda hoje por deputados e senadores. Apesar de ter enviado o projeto, o presidente Jair Bolsonaro recuou nesta semana e apelou aos congressistas que rejeitem a iniciativa.

Fruto de acordo entre ambos os Poderes, a proposta é um dos motivos reclamados por apoiadores de Bolsonaro para ir às ruas no próximo domingo. Com a mudança de postura do chefe do Executivo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), esperam ter uma conversa com Bolsonaro, o que ainda não ocorreu.

Antes da votação na comissão, o relator do projeto, Cacá Leão (PP-BA), anunciou a retirada de todas as alterações que havia feito em relatório. Ele manteve o conteúdo original elaborado pelo governo, com o objetivo de evitar qualquer dúvida sobre as intenções dos parlamentares. Entre os deputados, o projeto foi aprovado por 19 votos a cinco. No Senado, o placar foi de 7 a 1.

HOUVE OBSTRUÇÃO –  Apesar do gesto, durante a sessão, deputados do partido Novo e senadores do “Muda Senado”, grupo que se diz alinhado à “nova política”, fizeram obstrução por serem contrários à proposta do governo. Esses parlamentares associam o controle do dinheiro em questão ao “toma lá, dá cá” e ao dividendo eleitoral que pode ser obtido com a alocação dos recursos.

Irritada, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) fez um longo discurso contra o que chamou de “vestais” do Senado e disse que sempre vai buscar recursos para o seu estado, o Tocantins. Além disso, atacou Bolsonaro por mandar o projeto e depois recuar. 

“Nós estamos fazendo aqui o abraço dos afogados. Quem mandou essa discussão para cá foi o presidente Jair Bolsonaro. Ele assinou com a caneta dele. Que país é esse que nós estamos vivendo? Que exemplo vamos dar para a sociedade se um presidente não honra a assinatura que dá?” — disse Kátia Abreu.

“HONRAR AS CALÇAS” – Sem ser interrompida, ela continuou: “Se ele (Bolsonaro) quiser, venha aqui e retire o PLN4 (projeto que prevê o controle dos recursos pelo Congresso). Então, se é isso que ele quer, que vista a calça de manhã e de tarde. Não é só até meio-dia, não, e tire o PLN4 daqui. Eu sou mulher e visto saia e calça. Honro a palavra que tenho” — concluiu, sendo aplaudida pelos colegas.

Do outro lado, um grupo de 75 parlamentares contrários à proposta assinaram uma carta pedindo para Bolsonaro retirar de tramitação o projeto. Os congressistas ainda estão recolhendo mais assinaturas.

“O presidente tem responsabilidade neste processo. O presidente é o autor do PLN 4. Se ele nas redes sociais e para sua base fala que é contrário, o mecanismo técnico é simples, ele retira esse projeto. É isso que nós estamos cobrando” — afirmou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).


NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Kátia Abreu tem razão. Que presidente é esse, que faz um acordo com o Congresso, assina o  projeto previamente negociado e envia ao Congresso, mas depois recua, culpa o Congresso e convoca uma manifestação popular para esculachar os parlamentares? Que presidente é esse, Francelino Pereira?

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