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Trump acusou Brasil de promover desvalorização ‘maciça’ do real

BOLSONARO REBATE TRUMP E DIZ QUE SEU GOVERNO NÃO MANIPULA COTAÇÃO DO DÓLAR

Guilherme Mazui
G1

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira, dia 4, que o governo não está “aumentando artificialmente” a cotação do dólar. Na segunda-feira, dia 2, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Brasil e Argentina “têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas”.

De acordo com Trump, agricultores norte-americanos estariam sendo prejudicados, já que, com o real e o peso valendo menos em relação ao dólar, exportações de Brasil e Argentina ficam mais competitivas.

VALORIZAÇÃO ARTIFICIAL – A declaração do presidente dos EUA levantou avaliações no mercado financeiro de que o governo brasileiro poderia estar valorizando o dólar de forma artificial. Em novembro, o real foi a quarta moeda no mundo que mais perdeu valor na comparação com o dólar.

Bolsonaro negou a possibilidade de o governo estar interferindo na cotação, ao ser questionado sobre o tema por jornalistas na porta da residência oficial do Palácio da Alvorada. “Nós não queremos aqui aumentar artificialmente, não estamos aumentando artificialmente o preço do dólar”, afirmou Bolsonaro.

GUERRA COMERCIAL – De acordo com o presidente, um dos motivos da alta da moeda norte-americana nas últimas semanas é a guerra comercial entre EUA e China. “O mundo está globalizado. A própria briga comercial entre Estados Unidos e China influencia o preço do dólar aqui”, disse Bolsonaro.

Ao acusar Brasil e Argentina de desvalorizarem suas moedas, Trump disse que iria restaurar a sobretaxa sobre o aço e o alumínio vendido pelos dois países. A sobretaxa nas tarifas foi aplicada pelo governo dos EUA no ano passado, em relação a vários parceiros comerciais, mas Brasil e Argentina obtiveram, em agosto, uma espécie de “alívio” nos preços.

“MUY AMIGO” – Bolsonaro, que diz ter uma boa relação com o presidente norte-americano, afirmou nesta quarta-feira que acredita que Brasil e EUA chegarão a um “bom termo” com relação ao aço e ao alumínio.

“Eu acredito no Trump, não tenho nenhuma idolatria por ninguém, tenho uma amizade, não vou falar amizade, não frequento a casa dele nem ele a minha, mas temos um acordo, com contato bastante cordial”, afirmou Bolsonaro. Questionado se ficou decepcionado com Trump, Bolsonaro disse que não, pois o norte-americano ainda não “bateu o martelo” sobre a taxação.

SEM RESSENTIMENTOS – “Não tem decepção porque não bateu o martelo ainda. Não é porque um amigo meu falou grosso numa situação qualquer que eu já vou dar as costas para ele”, disse Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
O discurso de Bolsonaro sobre a sua “amizade”, ou melhor, o seu tímido e eventual contato com Trump, reflete um grau de submissão criticado não somente no Brasil.  O inglês “The Guardian” comparou a intenção do presidente americano em taxar a importação de aço brasileiro como “um tapa simbólico” na cara de Bolsonaro. Já o “Financial Times” apontou um “golpe embaraçoso” para o Brasil. O francês “Les Echos”, por sua vez, desdenhou do entusiamo persistente de Bolsonaro em relação ao “colega” americano. Já é hora de Bolsonaro aterrissar e voltar para o mundo real.

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