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CARIRIEISSO HOMENAGEIA NESTA QUARTA WALDICK SORIANO PELOS 11 ANOS DE SAUDADES

Falar de amor é fácil para muita gente que ama todos os dias e é altamente correspondido. Pega ruim é falar de amor quando o Sol nasce na segunda-feira e as janelas te agridem com o aviso de que uma nova semana se inicia. E dá-lhe sofrimento. E quando a falta de afeto nos abraça, ou melhor, quando o afeto deixa de nos abraçar, falar de amor se torna quase impossível. E é justamente ai que a música brega entra nessa parada, pois serve para descongelar as nossas carnes, erotizar os nossos sentimentos. E assim se faz um ciclo de amores frágeis demais, que poderiam ter sido tão bonitos, caso alguém tivesse se importado em amar na segunda, na terça, na quarta, na quinta e, antes que essa seja dedicada a fotos de superação no instagram, melhor amar, também, na sexta. Se posso lhe dar uma dica, ame a cada minuto, independente se ele faz parte do sábado de Natal ou da segunda de Finados. O negócio é amar, amar, amar, amar e ser feliz…E é ai que a importância dos cantores bregas é descoberta e é justamente por isso que nesta quarta-feira, dia quatro de setembro, este site Caririeisso presta uma homenagem ao cantor baiano Eurípedes Waldick Soriano, que hoje nos deixa 11 anos de saudade.

Eurípedes Waldick Soriano (Caetité, 13 de maio de 1933 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2008) foi um cantor e compositor brasileiro, ícone da música classificada como brega.

Em 2007, Patrícia Pillar dirigiu um documentário sobre o cantor, Waldick, Sempre no Meu Coração.
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BIOGRAFIA

Nascido na Bahia, filho de Manuel Sebastião Soriano, comerciante de ametistas no distrito de Brejinho das Ametistas, em sua cidade natal. Fato marcante de sua infância foi o abandono do lar pela mãe, a quem era muito apegado.

Em Caetité viveu sua juventude, sempre boêmia, até um incidente num clube local, que o fez buscar o destino fora da cidade. Desde muito novo era um inveterado namorador e aventureiro e, seguindo o caminho de muitos sertanejos, foi tentar a vida em São Paulo.

Antes de ingressar na carreira artística, trabalhou como lavrador, engraxate e garimpeiro. Apesar das dificuldades, conseguiu se tornar conhecido nos anos 50 com a música “Quem és tu?”.

Ele se destacava por suas canções sobre dor-de-cotovelo e seu visual revolucionário para a época: sempre usava roupas negras e óculos escuros.

Seu maior sucesso foi “Eu não sou cachorro não”, que foi regravada em inglês macarrônico por Falcão. Também se tornaram conhecidas outras músicas suas, tais como “Paixão de um Homem”, “A Carta”, “A Dama de Vermelho” e “Se Eu Morresse Amanhã”.

O “FENÔMENO” WALDICK

A posição quase marginal que o ritmo “cafona” ocupou mereceu uma análise mais acurada e científica, já na 5ª edição, pelo historiador e jornalista Paulo César de Araújo.

Intitulado “Eu não sou cachorro, não – Música popular cafona e ditadura militar” (Rio de Janeiro, Record, 2005), a obra traz, já em seu título, uma referência a este cantor e sua música de maior sucesso. Ali o autor contesta, de forma veemente, o papel de adesista ao regime de exceção implantado a ferro e fogo no Brasil pelos militares, por parte dos músicos “bregas”. Waldick, segundo ele, é um dos exemplos, tendo sua música “Tortura de Amor” censurada em 1974, quando foi por ele reeditada. Apesar de ser uma composição de 1962, o regime não tolerava que se falasse a palavra “tortura”…

A revista “Nossa História”, de dezembro de 2005, refere-se ao cantor como “o mais folclórico dos cafonas” (ano 3, nº26, ed. Vera Cruz).

Num dos programas do apresentador Jô Soares, o músico Ubirajara Penacho dos Reis – Bira – declarou que nos anos 60 tocava apenas os sucessos de Waldick.

Na sua cidade natal, Waldick sempre foi tratado com certo menosprezo. Aristocrática, Caetité mantinha apenas nas camadas mais populares uma fiel admiração. Ali teve dois de seus filhos, gêmeos, de forma quase despercebida, em 1966. Em meados da década de 90, porém, a cidade teve num político o resgate do filho ilustre. O vereador Edilson Batista protagonizou uma grande homenagem, que nomeou uma das principais avenidas com o nome de Waldick. Pouco tempo depois, o SBT realizava ali um documentário, encenado por moradores locais, retratando a juventude de Waldick, sua paixão pela professora Zilmar Moura, a mudança para o sul.

Sílvio Santos aliás, protagonizou com Waldick uma das mais inusitadas cenas da televisão brasileira: no abraço que deram, foram perdendo o equilíbrio até ambos caírem, abraçados, no chão. Ali, então, simularam um affair, provocando hilaridade.

Por tudo isto, Waldick Soriano faz-se símbolo, no Brasil inteiro, de um estilo, de uma classe social, e da sua manifestação cultural, pulsante e criativa.

DOENÇA

Waldick envelhecido, tomado pela doença.

Waldick teve diagnosticado um câncer de próstata em 2006. Em 2 de julho de 2008 foi divulgado que seu estado de saúde era grave, pois já ocorrera metástase da doença. Veio a falecer em 4 de setembro no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro.

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