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QUE MASSA! CONDOMÍNIOS CRIADOS NO BRASIL PARA PESSOAS ACIMA DOS 50 ANOS

QUE PROGRAMA MASSA!

Como seria excepcional se o governador Camilo Santana resolvesse criar este programa aqui no Estado do Ceará. 

Ao longo da vida, temos diversas ambições, e uma delas é chegar à terceira idade vivendo com dignidade, saúde e bem-estar. Só que isso nem sempre é possível para muitos idosos, que por falta de oportunidades, apoio da família e/ou situação financeira, acabam morando em casas inseguras ou até mesmo indo parar em asilos em condições precárias.

Existem conjuntos residenciais exclusivos para idosos em todo o mundo, com estruturas fenomenais, atividades físicas e cuidadores à disposição 24 horas por dia para os senhores e senhoras. No entanto, viver nestes locais tem um custo elevadíssimo — alguns aqui no Brasil chegam a ter mensalidades de mais de R$ 10.000.

Mas, então, o que fazer para resolver essa situação e proporcionar qualidade de vida também aos idosos com menor poder aquisitivo? Foi pensando nisso que alguns governos e organizações brasileiras construíram condomínios acessíveis voltados para idosos em diferentes estados do país. Conheça alguns deles agora:

Inaugurado em 2014 na cidade de João Pessoa, o programa Cidade Madura é uma iniciativa do governo da Paraíba destinada a idosos de baixa renda. Possui mais duas unidades — uma em Campina Grande e outra em Cajazeiras — e cada uma conta com 40 casas adaptadas de 54 m².

O condomínio oferece posto de saúde, academia ao ar livre, horta comunitária, pista de caminhada, centro de convivência com salão, salas de aula, de TV e de fisioterapia, copa, banheiros acessíveis e até um redário, e o investimento total do governo paraibano foi de R$12 milhões nas três unidades.

Quem pode viver no Cidade Madura? Idosos a partir dos 60 anos — preferencialmente quem vive há mais de dois anos na cidade — com renda de até cinco salários mínimos, que morem sozinhos ou apenas com os cônjuges e possuam autonomia para realizar atividades diárias. Os beneficiados pagam apenas uma taxa de condomínio e podem viver lá o tempo que quiserem e precisarem.

Como as casas pertencem ao Estado, os moradores não podem modificá-las, alugá-las ou cedê-las por conta própria. Da mesma forma, quando um residente desiste da casa ou falece, não existe a possibilidade da casa ser passada como herança para alguém da família do idoso.

A AGERIP — Associação Geronto Geriátrica de São José do Rio Preto — é uma organização não-filantrópica e sem fins lucrativos que desenvolveu o Projeto AGERIP em 1975 para garantir um envelhecer com dignidade, segurança e conforto para as pessoas.

Um dos diferenciais do AGERIP é a oferta de diferentes tipos de construções e a possibilidade de se associar e adquirir uma reserva mesmo antes de completar a idade mínima para morar no condomínio.

Em termos de infraestrutura, o residencial possui três categorias que atendem a diversos tipos de necessidade:

Suítes: com 63,55 m² de área de construção, são compostas por dormitório, banheiro acessível, sala com minicopa e garagem ou varanda. As suítes são adquiridas a preço de custo pelo sistema de comodato — contrato em que algo insubstituível é cedido a alguém temporariamente e depois deve ser restituído.

Apartamentos: ocupados pelos associados que moram sozinhos ou com um cônjuge. São compostos de um quarto planejado com um banheiro acessível e mobiliados pelos moradores. Nesta categoria e nas suítes, são oferecidos os serviços de enfermagem e cuidadores.

Chalés: construídos pelos próprios moradores em terrenos também cedidos por comodato, os lotes são de 400 m² e as casas podem variar entre 60 m² e 160 m².

Além das moradias, o AGERIP oferece diversas atividades para seus moradores, como hidroginástica, dança de salão, pilates, bordado, artesanato, terapia em grupo e muito mais. As refeições são realizadas no restaurante do condomínio sob a supervisão de nutricionistas e são realizados almoços especiais, bailes, excursões e outros eventos para o lazer dos associados.

Quem pode viver no AGERIP? Nos apartamentos, idosos a partir de 60 anos; nas suítes e nos chalés, a partir dos 50; e qualquer associado com mais de 40 anos de idade pode usufruir das atividades oferecidas no condomínio.

A associação tem mais de 750 associados atualmente, e a sede conta com mais de 100 construções prontas e mais algumas em produção. São 1000 títulos disponíveis, sendo 100 para reserva patrimonial, que pode ser feita por pessoas de qualquer idade e transferidas de pais para filhos. Após adquirir o certificado do Título Patrimonial, o associado passa a contribuir com a mensalidade do título.

Instituído em 2009 em uma parceria entre a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), secretarias e prefeituras de municípios paulistas, o Programa Vila Dignidade também é voltado a idosos independentes de baixa renda e já conta com unidades em cidades como Ribeirão Preto, Avaré e Mogi das Cruzes.

Com o objetivo de proteger os moradores e preservar suas condições de autonomia, os residenciais foram projetados segundo o conceito do Desenho Universal, que facilita o uso da moradia por qualquer pessoa com dificuldade de locomoção, seja temporária ou permanente.

Assim, todas as casas possuem itens de acessibilidade, como barras de apoio, portas e corredores mais largos, rampas de acesso e pisos antiderrapantes. Outro diferencial é o “botão de pânico” no banheiro e quarto, que pode ser acionado para avisar os vizinhos caso o morador sofra algum acidente doméstico.

Na unidade de Avaré – onde os imóveis contam até com aquecedor solar – os recursos de acessibilidade também foram instalados nas áreas comuns do condomínio, que oferece salão para festas, cursos, reuniões e mais eventos. A vila ainda possui um posto do Acessa SP com acesso à internet e monitores para promover a inclusão digital dos residentes.

Quem pode viver na Vila Dignidade? Idosos a partir dos 60 anos — preferencialmente quem vive há mais de dois anos na cidade — com renda de até dois salários mínimos, que vivam sozinhos e possuam autonomia para realizar atividades diárias. Os beneficiados são indicados pelo Conselho Municipal de Idosos, recebem assitência social e participam de atividades socioculturais e de lazer.

No caso da unidade de Mogi das Cruzes, o prefeito Marco Bertaiolli disse que toda a vila é acessível, e caso algum idoso necessite de cuidados por problemas de saúde, estará sob responsabilidade da Prefeitura e será transferido para alguma unidade de saúde do município que possua cuidadores.

Apesar de toda a repercussão positiva, também há quem critique essas iniciativas por acreditar que os idosos não deveriam viver “isolados” da sociedade, em um local exclusivo para eles. Também existe a dúvida sobre como fica a situação dos moradores que perdem autonomia nesses condomínios, já que eles devem morar sozinhos — ou apenas com o cônjuge — e muitos não possuem familiares que possam abrigá-los e auxiliá-los fora de lá.

Entretanto, não restam dúvidas de que ideias como o Cidade Madura, AGERIP e Vila Dignidade são de extrema importância para promover qualidade de vida, conforto e segurança a pessoas que tanto já contribuíram para a sociedade.

 

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